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Gestão

Porque o varejo de alimentos é diferente

Escrito por Gabriel Junqueira | 23/07/2020
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Tempo de leitura: 5 minutos

O varejo de alimentos está presente em todo o mundo, desde pequenas mercearias de bairro até hipermercados. Há alguns anos trabalhando com o pequeno e médio varejo, percebi algumas características que o tornam um negócio diferenciado, pois ele acontece sob a influência direta do empreendedor, sempre à frente do negócio, tomando todas as decisões. O que torna esse varejo e seu empreendedor diferente?

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Mas por que o varejo de alimentos é diferente?

Vamos apresentar os 3 pontos principais que são características desse tipo de comércio.

1. Alto Giro

Mesmo em uma mercearia ou pequeno supermercado, sempre há um cliente passando pelo caixa. Independente dos volumes, a mercadoria gira rápido. O que o alto giro influencia? Ele faz com que a operação exija diligência e controle constantes.

Boa parte do tempo o dono se vê preso na loja, pois ele sabe que a sua presença faz diferença. Ele quer ter controle da situação e, o mais importante, sabe que qualquer deslize gera prejuízos – seja um produto ausente na gôndola, o atendimento ao cliente, uma tentativa de furto, perdas ou fraude.

O alto giro torna o negócio mais complexo, pois em função dele vem a negociação com fornecedores com o volume diário de compras, a necessidade de manter sempre o controle do estoque correto, o recebimento das mercadorias, o contas a pagar e a receber, as obrigações fiscais complexas e o relacionamento com o contador, enfim, uma série de tarefas que tornam o dia a dia do varejista intenso.

O alto giro influencia diretamente na necessidade de gestão e automação dos processos da loja. É impossível realizar o gerenciamento de forma manual, portanto, quando não há automação, não há o controle. 

O alto giro faz com que pequenos problemas ou desajustes gerem grandes prejuízos. Resultado final, o alto giro consome a atenção constante do proprietário no negócio. 

Solução? Gestão. Implementar ferramentas e processos para controlar as movimentações de mercadorias, movimentações financeiras e declarações fiscais. Só assim, o empresário conseguirá ter uma visão do seu negócio.

No InfoVarejo, nós orientamos a busca pelo essencial bem feito. Por exemplo, com um bom cadastro de produtos e controle de estoque efetivo, é possível revolucionar a gestão da loja e aumentar o lucro da loja. 

2. Estrutura da loja 

É a característica do comércio varejista, uma loja aberta ao público em geral. O local de trabalho é onde se vende e se gera receita, portanto, a loja tem de abrir todos os dias. E mais, no pequeno varejo quem geralmente faz isso é o proprietário ou alguém de sua confiança, frequentemente um familiar.

Mesmo com o advento do comércio virtual tudo indica que a loja física ainda continuará existindo. Não só sobreviver, mas será um elo importante e fundamental para a jornada do consumidor. No conceito do “Novo Varejo” (New Retail), o foco é a experiência física entrelaçada com elementos digitais. Para entender melhor, acesse esse artigo

Entendemos, portanto, que a loja física continuará sendo o DNA do varejista de alimentos. A mudança que virá é embarcar o digital na proposta de valor da empresa e fazer parte da transformação digital.

Na prática, no entanto, é que o empresário varejista fica preso na rotina da loja, devido tanto ao alto giro, quanto a necessidade de presença física e observar o negócio acontecendo. Talvez seja um pouco daquele velho ditado “O olho do dono que engorda a vaca”.

Você conhece algum varejista? Pergunte a ele por quanto tempo ele consegue tirar férias ou quando tirou as últimas férias. A maioria dos varejistas, se tiram férias, o fazem por períodos curtos. Isso porque o varejo de alimentos, pelo seu alto giro e pelas suas instalações, depende da supervisão e olhar do dono e ele sabe disso!

3. Regional

O varejo de alimentos tem mais uma característica que o torna único: a regionalidade. Por se tratar de alimentos, o frescor é determinante para a satisfação dos clientes, assim, o varejo acaba tendo um alcance limitado geograficamente. 

Normalmente, os consumidores são da própria região ou a loja faz parte da sua rota de transporte. Portanto, o varejista acaba tendo uma influência regional. Uma pequena exceção a essa regra são os formatos de atacarejos e lojas maiores que atraem consumidores, mesmo que mais distantes em busca de descontos. 

Mas veja bem, mesmo neste cenário, existe um limite para o deslocamento, até o ponto que o custo do transporte compensa a economia. O que corrobora, mais uma vez o ponto que o varejo de alimentos é regional.

Com departamentos de produtos como açougue, padaria e hortifrúti, cujo frescor dos produtos está diretamente ligado à sua qualidade, a regionalidade desempenha uma influência direta no setor.

Esse fator influencia diretamente na dinâmica do mercado e concorrência. Escalar uma rede de supermercados traz consigo um desafio logístico enorme. O que faz com que lojas regionais consigam prosperar e se defender melhor contra concorrentes externos, do que outros segmentos, como de eletrodomésticos.

Outro efeito da questão regional é que tanto os seus consumidores quanto os seus proprietários estão inseridos na comunidade local. O que isso influencia? Na baixa velocidade com que o conhecimento e melhores práticas são disseminadas.

Por ser de bairro, o pequeno varejo de alimentos é disperso e descentralizado. A participação em associações suaviza essa realidade, ainda que com pouca relevância, principalmente pela baixa participação e engajamento do próprio dono.

Boa parte dos pequenos varejistas não teve formação específica. De fato, a maioria é de empreendedores natos, que por iniciativa própria e aptidão ao comércio, começaram seu negócio do zero, com pouco conhecimento sobre o mercado ou experiência anterior. Pode parecer óbvio, mas não é. Outros negócios não seguem a mesma lógica.

Observe o setor de construção civil, a maioria das construtoras, sejam pequenas ou grandes, foi criada por um engenheiro com experiência anterior. Ou seja, existe uma formação e experiência técnica no controle da empresa, características que moldam a natureza do negócio.

Felizmente, essa realidade tem começado a mudar com a chegada da segunda geração, os filhos dos donos, que se capacitaram em ciências gerenciais e tem uma visão mais técnica da gestão. São eles que terão a grande missão de sua época: atravessar a transformação digital com sucesso.

Transformação Digital no varejo de alimentos

A transformação digital é o grande desafio para qualquer empresa e negócio do século XXI. Novas tecnologias e mudança do comportamento do consumidor estão mudando drasticamente a forma que o varejo está se organizando e atendendo seus clientes.

É difícil imaginar um supermercado de sucesso nos próximos anos, sem uma gestão de clientes individualizada, com experiência mobile e digital, contando com processos automatizados e apoiados em IoT (inteligência das coisas), conectado numa rede maior de dados, com trocas de informações estratégicas de negócios.

Para que isso aconteça, urge uma transformação digital do varejo de alimentos, que tem como alvo a mudança de processos, da forma das pessoas trabalharem e da arquitetura tecnológica das lojas. 

A notícia boa é que o varejo de alimentos, por ser regional e presente fisicamente, está em uma posição privilegiada para liderar essa transformação. 

Diante desse cenário é fundamental uma aproximação dos prestadores de serviços no varejo. O varejista precisa do apoio que signifique um “atalho” na busca do conhecimento e capacitação. Consultores, fornecedores de software e hardware, cientes dessas dificuldades e limitações, devem contar com uma estrutura capaz de atender ao varejista, mantendo a qualidade, a simplicidade e objetividade dos seus produtos e serviços.

São diversos os motivos que tornam o varejo de alimentos único, saber disso te coloca a frente de muitos dos seus concorrentes e de diversas pessoas do setor.

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Se tem dúvidas ou sugestões, nos envie pelo Fórum Infovarejo!

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