Gestão

Porque o varejo de alimentos é diferente

Escrito por Gabriel Junqueira | 20/06/2016
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O varejo de alimentos está presente em todo o mundo, desde pequenas mercearias de bairro até hipermercados. Há alguns anos trabalhando com o pequeno e médio varejo, percebi algumas características que o tornam um negócio diferenciado, pois ele acontece sob a influência direta do empreendedor, sempre à frente do negócio, tomando todas as decisões. O que torna esse varejo e seu empreendedor diferente?

Por que o varejo de alimentos é diferente

Por que o varejo de alimentos é diferente?

Vamos apresentar os 3 pontos principais que são características desse tipo de comércio.

1. Alto Giro

Mesmo em uma mercearia ou pequeno supermercado, sempre há um cliente passando pelo caixa. Independente dos volumes, a mercadoria gira rápido. O que o alto giro influencia? Ele faz com que a operação exija diligência e controle constantes.

Boa parte do tempo o dono se vê preso na loja, pois ele sabe que a sua presença faz diferença. Ele quer ter controle da situação e, o mais importante, sabe que qualquer deslize gera prejuízos – seja um produto ausente na gôndola, o atendimento ao cliente, uma tentativa de furto, perdas ou fraude.

O alto giro torna o negócio mais complexo, pois em função dele vem a negociação com fornecedores com o volume diário de compras, a necessidade de manter sempre o controle do estoque correto, o recebimento das mercadorias, o contas a pagar e a receber, as obrigações fiscais complexas e o relacionamento com o contador, enfim, uma série de tarefas que tornam o dia a dia do varejista intenso.

O alto giro faz com que pequenos problemas ou desajustes gerem grandes prejuízos. Resultado final, o alto giro consome a atenção constante do proprietário no negócio.

2. Estrutura da loja 

É a característica do comércio varejista, uma loja aberta ao público em geral. O local de trabalho é onde se vende e se gera receita, portanto, a loja tem de abrir todos os dias. E mais, no pequeno varejo quem geralmente faz isso é o proprietário ou alguém de sua confiança, frequentemente um familiar.

Você conhece algum varejista? Pergunte a ele por quanto tempo ele consegue tirar férias ou quando tirou as últimas férias. A maioria dos varejistas, se tiram férias, o fazem por períodos curtos. Isso porque o varejo de alimentos, pelo seu alto giro e pelas suas instalações, depende da supervisão e olhar do dono e ele sabe disso!

Eu conheço um varejista que fecha o seu pequeno supermercado durante uma semana por ano. Adivinhe por quê? Para tirar férias…

3. Do bairro

Outra característica, que torna o pequeno varejo de alimentos único, é por ele ser de bairro, isto é, tanto os seus consumidores quanto os seus proprietários estão inseridos na comunidade local. O que isso influencia? Na baixa velocidade com que o conhecimento e melhores práticas são disseminadas!

Por ser de bairro, o pequeno varejo de alimentos é disperso e descentralizado. A participação em associações suaviza essa realidade, ainda que com pouca relevância, principalmente pela baixa participação e engajamento do próprio dono.

Boa parte dos pequenos varejistas não teve formação específica. De fato, a maioria é de empreendedores natos, que por iniciativa própria e aptidão ao comércio, começaram seu negócio do zero, com pouco conhecimento sobre o mercado ou experiência anterior. Pode parecer óbvio, mas não é. Outros negócios não seguem a mesma lógica.

Observe o setor de construção civil, a maioria das construtoras, sejam pequenas ou grandes, foi criada por um engenheiro com experiência anterior. Ou seja, existe uma formação e experiência técnica no controle da empresa, características que moldam a natureza do negócio.

Conclusão, muitos dos varejistas não têm uma homogeneidade ou padrão de conhecimento e pouco se capacita no tempo que lhe sobra entre o “alto giro” e as “instalações”.

Oportunidade no varejo de alimentos

Diante desse cenário é fundamental uma aproximação dos prestadores de serviços no varejo. O varejista precisa do apoio que signifique um “atalho” na busca do conhecimento e capacitação. Consultores, fornecedores de software e hardware, cientes dessas dificuldades e limitações, devem contar com uma estrutura capaz de atender ao varejista, mantendo a qualidade, a simplicidade e objetividade dos seus produtos e serviços.

São diversos os motivos que tornam o varejo de alimentos único, saber disso te coloca a frente de muitos dos seus concorrentes e de diversas pessoas do setor.

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