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Papel térmico, tudo o que você precisa saber 

Escrito por Gabriel Junqueira | 10/02/2022
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Tempo de leitura: 7 minutos

O papel térmico está presente no dia a dia de quase toda a população mundial. Papel térmico é o papel utilizado na impressão dos comprovantes de compras e pagamentos.

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Ele foi desenvolvido há mais de 40 anos nos Estados Unidos e no Japão. Os benefícios eram o menor custo na produção e o maior detalhamento das compras, como a hora e a data. No Brasil, o papel térmico só se popularizou na década de 80.

Os cupons fiscais utilizados atualmente não utilizam tinta na impressão. O processo de composição desse papel é bem simples. Basicamente, o papel é revestido por uma substância química que muda de cor quando exposta ao calor.

A substância mais utilizada no desenvolvimento do papel térmico é o bisfenol A (BPA), por ser o mais barato do mercado. Parece algo comum e inofensivo. O grande problema é que o BPA é uma substância extremamente prejudicial ao meio ambiente e a saúde humana. 

Tamanho do problema

No mundo inteiro são produzidos cerca de 8.134 bilhões de metros cúbicos de BPA por ano. Em 2004, apenas os EUA produziram 2.711 bilhões de metros. Considerando o cenário brasileiro, segundo o IBGE, o Brasil tem uma população de mais de 209 milhões de pessoas. O crescente número populacional faz com que o número de contas bancárias no país também seja progressivo. Dessa forma, os comprovantes acompanharão o ritmo.

Em 1999 o número de contas bancárias no Brasil girava em torno de 5 milhões. Em 2015 esse número era de 83 milhões. Um aumento de 1.660% em 16 anos. Levando em conta, ainda, que de acordo com a Lei nº 8846, de 21 de Janeiro de 2004, é obrigatória a emissão de nota fiscal ou documentos equivalentes no momento das transações, o número excessivo do papel é algo que tende a aumentar.

O crescente populacional, não só do Brasil, mas do mundo, faz com que a impressão de comprovantes fiscais torne-se algo inviável.

Em pesquisa realizada na Inglaterra, com aproximadamente 1000 entrevistados, concluiu-se que 89% dos britânicos precisaram do cupom fiscal nos últimos 12 meses, para devolução ou troca de produtos. Mesmo esse número sendo alto, 90% relatou que quando precisam guardar recibos de papel, acabam perdendo-os ou não guardam da forma adequada, o que faz com que as informações desapareçam e o papel se torne inútil.

Além disso, 47% dos entrevistados declarou que o recibo em papel é uma perda de tempo, jogar papel no lixo, um desperdício.

Só no Reino Unido são produzidos cerca de 11.2 bilhões de recibos anualmente. Desses, 90% são perdidos ou jogados no lixo logo após a compra. Isso significa 203.636 árvores no lixo do Reino Unido. Para se ter um comparativo do tamanho do desmatamento, os parques reais londrinos possuem 170.000 árvores.

Papel térmico e cupons fiscais

Apesar de alguns estados brasileiros já terem adotado a NFC-e, mesmo com o modelo, a impressão do comprovante fiscal pode ser exigida pelo consumidor. Além disso, segmentos como supermercados já possuem a cultura de entregar o cupom fiscal, mesmo em caso do consumidor não o solicitar.

Não só isso, em muitas situações, mesmo que o consumidor não queira o cupom fiscal, o mesmo é impresso, gerando lixo da mesma forma.

É claro que o comprovante fiscal é muito importante no cotidiano, principalmente para produtos que possuam garantia. Porém, mesmo para essa finalidade esse é um processo que precisa de melhorias. Isso porque, caso o cupom fiscal não seja guardado da forma correta, as informações contidas somem em pouco tempo. Muitas vezes, pegamos o cupom fiscal e enfiamos nos bolsos e esquecemos da sua existência. Papel térmico é sinônimo de lixo desnecessário.

Existe sim a necessidade da existência de um comprovante fiscal, mas não existe a necessidade do mesmo ser de papel.

Impacto na natureza

As indústrias de produtos de papel são uma das causas mais significativas de desmatamento.

Anualmente, para se produzir os papéis térmicos, estima-se que sejam utilizados 1 bilhão de galões de água, 10 milhões de árvores cortadas e 250 milhões de galões de óleo, apenas na produção dos EUA. Tudo isso gera cerca de 1.5 bilhão de quilos de resíduos sólidos. Vale ressaltar que esses números representam os dados coletados apenas nos EUA.

Um dos maiores problemas ambientais relacionados ao BPA é o descarte. O bisfenol A possui uma baixa solubilidade, caso não seja descartado de forma adequada, o composto é liberado no ambiente, na atmosfera, nos lençóis freáticos e no solo, acarretando a bioacumulação da substância.

Em 2015, o PPRC (Pollution Prevention Resource Center) escreveu:

“A União Europeia conduziu uma avaliação de risco completa do BPA, finalizada em 2008. A análise estimou as emissões ambientais de todos os usos significativos do BPA no mercado europeu. A produção de papel térmico é um dos menores usos industriais do BPA, cerca de 0,2% do mercado na UE. No entanto, devido ao uso intensivo da água e à natureza química disponível gratuita do BPA em revestimentos de papel, a reciclagem de papel térmico gera a maior fonte industrial de BPA que entra nas estações de tratamento de águas residuais (ETARs). O BPA é relativamente bem removido no tratamento moderno de águas residuais (taxas de remoção de mais de 90% são comuns), mas dados os grandes volumes introduzidos, a reciclagem ainda é uma fonte significativa de emissões de águas superficiais.”

Uma possível solução seria a reciclagem dos papéis térmicos, mas essa é uma solução ainda mais prejudicial ao meio ambiente e a saúde humana. 

A reciclagem faz com que o BPA se mantenha presente e, ainda pior, dissipado em outros tipos de papéis, dado que, com a reciclagem, o papel térmico será utilizado na produção de outros materiais, como o papel toalha e o papel higiênico, aumentando, assim, o contato e o risco à exposição.

A melhor forma de descartar os recibos que contenham bisfenol é embalá-los firmemente em sacolas plásticas não biodegradáveis e destiná-los a aterros seguros, dessa forma eles não correrão o risco de vazarem para lençóis freáticos ou solos, em contrapartida, eles se tornarão um volume a mais nos aterros.

Ou seja, o papel térmico não é reciclável.

Toxicidade

A utilização de BPA é uma preocupação mundial, estudos financiados pela União Europeia são feitos desde 2012. Além disso, em 2015, foi lançado um grupo adicional com o intuito de verificar os efeitos do bisfenol em contato com alimentos. Os resultados da pesquisa são previstos para 2020.

A Comissão Europeia solicitou, ainda, à Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA) que estude o BPA. Em 2017, a ECHA votou por unanimidade que o BPA é um desregulador endócrino. Além disso, em 2018, a Agência Europeia dos Produtos Químicos atualizou sua posição no BPA para incluir preocupações com o Meio Ambiente:

“O bisfenol A foi listado na Lista Candidata de substâncias de grande preocupação (SVHCs) devido às suas propriedades tóxicas para a reprodução em janeiro de 2017. Em junho de 2017, o Comitê dos Estados Membros da ECHA apoiou a proposta francesa de identificar adicionalmente o bisfenol A como uma substância de preocupação muito alta também por causa de suas propriedades desreguladoras endócrinas que causam efeitos graves prováveis ​​à saúde humana, o que gera um nível equivalente de preocupação para substâncias cancerígenas, mutagênicas e tóxicas para a reprodução (CMRs categoria 1A ou 1B). Em janeiro de 2018, a entrada do BPA foi atualizada para refletir um motivo adicional para inclusão na lista de candidatos devido a suas propriedades desreguladoras endócrinas que causam efeitos adversos ao meio ambiente, conforme proposto pela Alemanha. ”

As pesquisas relacionadas ao BPA e ao consumo do mesmo no Brasil são poucas, mas em outras localidades do mundo esse é um tema que tem gerado preocupações e discussões.

Em relação aos animais, segundo relatório da EPA (Environmental Protection Agency), o BPA apresenta alta toxicidade crônica para os animais aquáticos.

A utilização de BPA no papel térmico, além de prejudicial ao meio ambiente e aos animais, traz malefícios, também, a saúde humana. Doenças cardíacas, câncer de mama e de próstata, diabetes tipo 2, infertilidade e transtorno do déficit de atenção são só alguns dos muito efeitos possíveis pelo contato com a substância.

Diversos estudos comprovam que mesmo doses baixas de BPA afetam o sistema nervoso, o sistema imunológico, os tecidos reprodutivos femininos e masculinos, e outros tecidos metabólicos.

O BPA presente nos papéis térmicos entram no organismo através do contato com a pele. Além disso, em estudo realizado nos EUA e na China, indivíduos que trabalham com uma exposição maior ao BPA, como caixas de supermercado, tiveram uma concentração elevada da substância na urina.

Quando o BPA entra no corpo pela via oral, é absorvido pelos vasos sanguíneos, transportado para o fígado e rapidamente metabolizado em um processo denominado metabolismo de primeira passagem, onde a concentração do fármaco é significantemente reduzida (e inativada) pelo fígado antes de atingir a circulação sistêmica.

Na China, foi realizado um estudo onde se constatou que lavar as mãos pode reduzir a exposição da derme ao BPA. Porém, 47% do BPA ainda foi encontrado nas mãos, mesmo depois de diferentes métodos de lavagem. Estima-se que 36,45 mg/dia de BPA seja absorvida pela população e 248,73 mg/dia por operadores de caixa.

Alternativas

Apesar de não existirem muitos estudos sobre alternativas para a substituição do BPA nos papéis térmicos, é possível encontrar no mercado opções conhecidas como “BPA-livre”, que utilizam compostos como Pergafast 201, Éter Tetrametil Bisfenol, Epóxi Tetrametil Bisfenol F e S, BHPF, Bisguaiacol F, Diglicidílico e uretano de uréia.

Porém, em estudo realizado nos EUA, Japão, Coreia e Vietnã, todos os recibos analisados, ditos como “BPA-livre” continham o composto.

Duas opções bastante utilizadas como substitutas do BPA, são o ácido ascórbico e o Pergafast 201. Mesmo nessas opções, estudos evidenciam que os efeitos dessas substâncias são tão prejudiciais quanto o BPA. A opção mais viável é a utilização de um sistema que não utilize papel térmico.

Solução

A utilização de BPA traz malefícios ao meio ambiente e à saúde humana. Substituir o componente por outra substância química só trocará o problema de nome, pois os prejuízos serão igualmente ruins ou piores.

Além disso, o cupom físico traz gastos para o varejista, com bobina de papel. Alguns supermercados chegam a gastar R$100,00 por mês por PDV só com o papel térmico. Imagina uma loja com 4 PDVs, são R$400,00 por mês e R$4.800,00 por ano. 

Guardar papel já não faz mais parte da cultura atual. Mas isso não significa que o cliente não precise do comprovante, já que ele talvez precise trocar um produto.

Uma solução que viabilize e melhore esse processo é necessária. E essa solucão já existe, é o Cupom Verde, um recibo digital.

É simples e prático, confira com o seu fornecedor de ERP se a integração já está disponível!

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