O Varejo está morto? Conheça as 5 tecnologias que podem fechar sua loja

Muito se fala sobre “o varejo estar morto”. Desde o advento da internet, oráculos de negócios tem feito essa grande anunciação. O objetivo desse artigo é apresentar as principais tecnologias e inovações que influenciarão diretamente o setor nos próximos anos.

O Varejo está morto_Conheça as 5 tecnologias que podem fechar sua loja

 

Antes de dizermos que o varejo está morto, vamos definir qual varejo estamos nos referindo.

Definindo e entendendo o Varejo

De acordo com o dicionário Houaiss, varejo significa:

“Tipo de comércio no qual a venda é feita diretamente ao comprador final”;

“Estabelecimento que vende a varejo”;

Aqui no InfoVarejo, podemos dizer que tratamos do comércio varejista. Isto é, estabelecimento comercial que vende para o consumidor final, em pequenas quantidades.

O varejo tradicional que conhecemos, o autosserviço, nasceu no início do século passado nos Estados Unidos, modelo denominado “cash and carry”. Portanto, com produtos dispostos em prateleiras com preços predeterminados, permitiu aos consumidores escolher os produtos de sua preferência sem intervenção de funcionários, e levá-los até o caixa para pagamento. Coisas tão comuns hoje, mas que revolucionaram a maneira de se consumir no início do século.

Por que o varejo existe?

O varejo surgiu e se consolidou tanto por razões econômicas de mercado, quanto comportamentais dos consumidores.

Principais razões econômicas:

  1. Dividir a quantidade – A lógica econômica da indústria está baseada no ganho de escala. Para viabilizar preços competitivos de produtos, é fundamental que se produza muito. Para escoar a produção são necessários intermediadores, que  distribuirão para os varejistas, até alcançar o consumidor final.
  2. Ponto de distribuição de produtos (logística) – Para otimizar a cadeia logística, a indústria entrega um grande volume de produtos até determinado momento, que distribui para pontos avançados, até chegar ao varejista. A partir daí os consumidores buscam de acordo com sua necessidade – esse é o varejo.
  3. Ponto de estocagem de produtos – Similar a razão acima. Os produtos não são consumidos imediatamente, é economicamente inteligente contar com estoque mais próximo do cliente final para reduzir o custo de logística.

Essas razões proporcionaram ao varejo a possibilidade de entregar preços baixos e acessíveis ao mercado consumidor. Em paralelo, o modelo também atendeu às necessidades destes clientes, sendo as principais razões comportamentais dos consumidores pelas quais o varejo triunfou:

  1. Tocar, ver, sentir, testar – O consumidor tem a preferência de usar seus sentidos para avaliar o produto a ser comprado. Tocar, ver, cheirar, sentir: cada um dos sentidos desempenha um papel relevante, e, dependendo do produto, crucial para a realização da compra. Ou você compraria um perfume sem nunca ter conhecido sua fragrância?
  2. Conveniência – O varejo também existe por conveniência. Pelo simples fato de que para o consumidor, em determinados momentos de seu cotidiano, buscar um produto em uma loja é mais fácil e rápido.
  3. Dopamina – Vários estudos recentes revelam que o ato de ir às compras em lojas libera uma série de hormônios de prazer – o principal deles é a dopamina. Ou seja, fazer compras no varejo é um ato de prazer.

Entendendo o comércio eletrônico (e-commerce)

O varejo não está sendo atacado diretamente. Pelo contrário. Cada um dos seus fundamentos estão sendo atacados separadamente. A ideia desse artigo é mostrar como cada tecnologia tem atingido o varejo e fortalecido o comércio eletrônico ou e-commerce, o arquirrival do varejo.

Por que o e-commerce faz sentido?

Antes de falarmos sobre as tecnologias, assim como definimos o varejo, é importante repassarmos as principais razões pelas quais o e-commerce existe e tem crescido tanto.

As principais razões econômicas:

  1. Investimento – Considerando o baixo custo operacional, diferente de lojas físicas, não é necessário grandes investimentos em infra estrutura para atendimento ao cliente. Criar uma loja virtual hoje é extremamente barato, bem diferente de montar uma loja física.
  2. Despesa operacional – Manter uma loja virtual, hoje em dia, pode ser muito barato. Várias começam da casa do empresário. Sem todas as despesas relacionadas ao estabelecimento, como aluguel e funcionários, é possível oferecer preços competitivos para os consumidores.
  3. Alcance do negócio – O varejo físico se limita à sua localização. Já a loja virtual pode atender cliente de qualquer cidade do país, quiçá do mundo! Esse aumento exponencial dos consumidores potenciais abre uma grande vantagem econômica para o empreendimento. É possível viabilizar negócios de nichos que seriam extremamente caros quando realizados via o varejo físico.

Para o consumidor também há várias razões que tornam o e-commerce atraente:

  1. Conveniência – Poder comprar no momento que quiser de onde quiser. Essa é uma das principais razões pela qual o e-commerce teve tamanha adoção. Além do que, o consumo está cada vez mais digital, ou seja, a loja virtual está mais perto do cliente.
  2. Mix de produtos – Se para o empresário foi possível alcançar mais consumidores, para os consumidores foi possível alcançar mais produtos e lojas. Assim, o e-commerce leva uma vantagem enorme quando o assunto é mix de produtos.
  3. Informações sobre produtos – Outra vantagem da loja virtual é a disponibilização de informações realizada de maneira mais fácil. No varejo físico é necessário treinar funcionários para fornecer informações, o que na maioria das vezes é falho.

Varejo físico vs. Comércio Eletrônico

Como prever o que vai acontecer com o varejo diante do crescimento do comércio eletrônico?

Uma dica é observar como cada um dos modelos está interagindo com suas próprias vantagens e desvantagens, e também com as do seu concorrente.

Por exemplo:

  • Como o varejista está lidando com a conveniência e o mix de produtos do e-commerce?
  • Quais ferramentas o e-commerce está adotando para melhorar a experiência do consumidor no quesito “tocar, sentir, ver” o produto?

As 5 tecnologias que vão matar o varejo e fechar sua loja

1. Delivery

Comecemos pelo maior obstáculo do comércio eletrônico: a logística. Atualmente, a logística impacta diretamente dois pontos cruciais da satisfação do consumidor: preço e prazo de entrega. Com a logística cara e lenta, o e-commerce não consegue deslanchar.

Essa é uma das maiores preocupações dos gigantes do e-commerce. Estamos literalmente assistindo a uma “corrida armamentista” de empresas de tecnologia em busca de alternativas escaláveis e de baixo custo para a entrega ao cliente.

A maior preocupação está no custo da “última milha” (last mile) da entrega, que normalmente corresponde a maior parte do custo do frete. Essa faixa é particularmente mais cara devido a capilaridade das entregas, tráfego das grandes cidades e custo de mão de obra. Contra esses fatores as empresas estão apostando em tecnologia, e isso significa inovação de verdade, robôs, drones… É sério. Confira algumas das iniciativas mais notáveis:

  • Robôs terrestres

Pequenos veículos autônomos equipados com inteligência artificial, câmeras, sensores, GPS e uma série de outros dispositivos. A imagem abaixo mostra o veículo da Starship, startup que recebeu aporte de 25 milhões de dólares em junho de 2018. Confira neste link outras startups do setor.

 

  • Drones

Similar aos robôs terrestres, os drones são equipados com uma série de dispositivos que possibilitam a entrega de itens em uma velocidade e versatilidade nunca imaginada.

Confira no vídeo abaixo um pouco sobre a iniciativa da Amazon, o Amazon Prime Air, demonstrando como funciona o modelo. Detalhe: esse vídeo é de 2016! A empresa espera colocar o serviço em operação em 2019.

 

Uma das maiores empresas de consultoria do mundo, a McKinsey, estima que em países desenvolvidos a automatização da entrega na última milha, seja por robôs ou drones, representará 80% de todas entregas em 2025. Esses equipamentos têm o potencial de reduzir em até 40% o custo de entrega da última milha.

Com o advento dessas tecnologias, que reduz custo e prazo de entrega, o comércio eletrônico se fortalecerá. A questão é quando isso será realidade.

Com entregas mais rápidas e baratas do e-commerce, como o varejo reagirá?

2. IOTe Economia do Abastecimento

IOT – internet of things, ou em português, internet das coisas, é um termo utilizado para definir uma rede de dispositivos e sensores digitais que coletam dados e transmitem pela internet. De forma mais prática, são equipamentos que estão conectados diretamente à internet, que por sua vez, pode enviar dados ou comandos de forma automatizada.

Economia do abastecimento é um modelo de negócio que emerge por meio do IOT. Basicamente, resume-se a automatização das compras de produtos de rotina pelo consumidor. Na prática, sensores e dispositivos inteligentes realizarão compras de forma autônoma, isto é, sem que o próprio consumidor se envolva no processo.

Este modelo de negócio se baseia na premissa de que uma grande parte das compras são de abastecimento. Sabão em pó, ração para seus pets, produtos de limpeza em geral, e até mesmo produtos de mercearia, são itens que seguem um padrão de compra muito estável.  Talvez preferiríamos nem precisar lembrar de comprá-los, certo? Ou você muda a marca do seu sabonete toda vez que vai às compras? Ou o seu refrigerante favorito?

 

A Amazon mais uma vez é pioneira nas principais iniciativas do e-commerce. Neste vídeo, é apresentado o Amazon Dash Button, botões que realizam o pedido de compra de produtos com um simples clique.

A Economia do Abastecimento é uma ameaça para o varejo que fornece produtos básicos de consumo rotineiro, ou seja, praticamente todos os setores do supermercado. Em um primeiro momento, isso pode nos fazer pensar que o supermercado do futuro talvez nem exista.

Pesquisas recentes sobre o funcionamento do cérebro mostram que a mente humana adora automatização, e que ela está em busca constante do mínimo esforço. Menos decisões, menos energia gasta, mais satisfação.

A junção de Economia do Abastecimento + IOT não muda apenas o varejo, mas toda a dinâmica da indústria. Qual estratégia de marketing adotar em um processo de compra que inexiste?

E em sua loja? Como esse novo modelo pode impactar suas vendas?

3. AI e C-commerce

A AI (Inteligência Artificial) é uma das inovações mais comentadas e divulgadas dos últimos tempos. As aplicações são infinitas, assim como previsões de gurus. Faça um teste, procure o termo na pesquisa no Google, filtrando por notícias, e você encontrará novidades do dia.

Como as fontes e definições estão abundantes na internet, seremos breve em nosso objetivo: o impacto no varejo.

Uma das principais aplicações da AI no varejo será no C-Commerce, conversational commerce, ou em português, comércio de conversa. Basicamente, realizar compras conversando com dispositivos inteligentes.

Uma das principais áreas da AI é o reconhecimento de voz, que propõe elevar a interação de homens e máquinas a uma experiência natural. Afinal de contas, conversaremos com dispositivos assim como fazemos entre nós.

 

No vídeo acima, o Amazon Echo é apresentado. Trata-se de um assistente digital que realiza uma série de tarefas, desde fornecer informações gerais como notícias, responder a dúvidas, controlar dispositivos conectados (iot), e até mesmo, adivinhe, realizar compras diretamente na Amazon.

Por que o C-Commerce tem um potencial tão grande?

Praticidade, mínimo esforço. Nosso cérebro adora alternativas que demandem menos esforço e energia. O Whatsapp é um fruto desse fenômeno. Um dos motivos do seu sucesso está ligado ao fato das pessoas preferirem enviar mensagens do que conversar, o que é uma tarefa que exige muito mais disponibilidade.

No futuro, para comprar, o consumidor não precisará nem ler e escrever: bastará dizer. Muito mais fácil, não é mesmo?

4. VR – Realidade Virtual

Como o próprio nome já diz, a Realidade Virtual busca criar um ambiente online diferente do real. Por meio de uso de técnicas e equipamentos, é possível ampliar o sentimento de presença do usuário no ambiente virtual. Essas técnicas buscam imergir o usuário em uma nova realidade, por meio de efeitos visuais, sonoros, táteis e até olfativos.

Imagine um mundo em que, da sua casa, você utilize equipamentos que te levem a um ambiente virtual, onde você pode encontrar seus amigos, passear juntos e comprar. Mais do que isso, uma realidade que simule a utilização de produtos no ambiente de destino.

Ou seja, com a Realidade Virtual, a experiência online de compras busca alcançar a experiência do consumidor de “tocar, ver, sentir, testar”. Justamente o que, até então, é monopolizado pela loja física.

Existem dois grandes objetivos com a adoção da Realidade Virtual por marcas e empresas: o primeiro foi citado acima, melhorar a experiência do usuário na compra online, envolvendo todos seus sentidos. O segundo objetivo é econômico, uma vez que um grande custo do comércio eletrônico é devido à devolução de produtos. Atualmente até 30% de todas as compras onlines são devolvidas. Nesse sentido, a realidade virtual ajudará o consumidor a entender o que ele está comprando, antes de fechar o carrinho.

Milhões de dólares estão sendo investidos nessas tecnologias e a tendência é só aumentar.

Veja esse exemplo real, é possível realizar o teste drive dos carros da Volvo sem sair de casa:

 

Este outro vídeo vai além, e mostra um pouco de um futuro não tão distante:

 

5. AR – Realidade Aumentada

Enquanto a Realidade Virtual (VR) busca criar uma experiência imersiva ao usuário, se desconectando do ambiente real, com a Realidade Aumentada (AR) o objetivo é criar uma experiência interativa com o mundo real.

A lógica para a adoção da Realidade Aumentada (AR) é a mesma da realidade virtual (VR): melhorar a experiência do consumidor e reduzir a distância dos sentidos “tocar, ver, sentir, testar” entre a loja física e a virtual.

Veja essa aplicação da fabricante sueca de móveis IKEA. Com seu aplicativo mobile de realidade aumentada, o cliente pode “testar” os seus produtos em sua casa, antes mesmo de comprar.

 

Outras aplicações mais audaciosas já estão no radar das grandes empresas do setor. Assim como no aplicativo mobile da Amazon, que reconhece um produto com base em fotografias feitas pelo usuário, a ideia é que essa funcionalidade seja integrada aos óculos inteligentes. Assim, ao caminhar na rua e ver algum produto que você se interesse, uma roupa que um desconhecido esteja usando, por exemplo, o óculos “identificará” o produto e mostrará informações sobre ele, podendo ser realizada a compra no mesmo instante.

O varejo está morto?

Confesso que, em um primeiro momento, temos uma visão pessimista dessa avalanche de inovações. Como o varejo resistirá a essas tecnologias? Suas vantagens competitivas em relação ao comércio eletrônico, como o “tocar, ver, sentir, testar”, sua conveniência e sua experiência estão sendo diretamente atingidas.

Assistindo às aplicações da Inteligência Artificial, Realidade Virtual e Realidade Aumentada, parece que estamos nos aproximando do cenário apocalíptico do filme Matrix.

 

Mas afinal, o varejo está morto?

O varejo que conhecemos, sim, está com os dias contados.

Talvez não no ritmo que anunciam, talvez demore mais. Mas é inevitável. Não enviamos mais fax, não alugamos mais filmes em locadoras, por que continuaremos comprando da mesma maneira de antigamente?

O varejo renasce

O varejo do passado, aquele cujo principal objetivo era a distribuição de produtos, está morto. E agora, o que estamos observando é uma reinvenção do setor, um novo varejo.

Ou seja, esse novo varejo não está morto, está apenas renascendo. Aliando tecnologia e experiências reais, o novo varejo ainda tem uma vida pela frente.

Esse é o tema de nosso próximo artigo, vamos mostrar como o varejo utilizará dessas mesmas tecnologias para reescrever sua história.

Veja nesse vídeo um pouco da transformação do varejo com as novas tecnologias:

 

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