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De olho na maquininha: operadoras enganam empresários e prejuízo é grande

Escrito por Leonardo Dicker | 10/07/2019
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Dono de uma franquia de loja onde são vendidos chocolates, Gabriel Medeiros disse que demorou a perceber que parte do seu lucro, na verdade, não iria para o caixa

De olho na maquininha: operadoras enganam empresários e prejuízo é grande

 

O Brasil pode até estar em crise, mas as operadoras de cartão de crédito seguem a todo vapor e travaram uma disputa por fatias cadas vez maiores do mercado. O que pouca gente sabe é que essas mesmas empresas “esquecem” de repassar ao empresário aquilo que ele teria direito com a venda de produtos ou serviços.

Dono de uma franquia de loja onde são vendidos chocolates, Gabriel Medeiros disse que demorou a perceber que parte do seu lucro, na verdade, não iria para o caixa. “Eu só percebi depois de fazer uma auditoria, pois estávamos caminhando para uma situação financeira muito complicada”, contou, em entrevista à Rádio Metrópole.

Sócio-diretor da Gold Soluções, que realiza o rastreio de desvios e outras irregularidades, Renato Carneiro afirma que há “falta de controle”. “Não posso dizer que os erros são intencionais, mas o volume é muito grande. Acaba perdendo o controle e as empresas são prejudicadas”, citou.

Empresas estão em guerra comercial, mas serviço deixa muito a desejar

No horário nobre da TV aberta, aposto que você já viu um dos figurões do entretenimento oferecendo serviços imperdíveis das máquinas de cartão de crédito. A estratégia tem como objetivo abocanhar o empresário. Na Bahia, não há dados de quantas empresas usem esse serviço, mas, em dois anos de operação, a Gold recuperou mais de R$ 3 milhões. “Outra irregularidade comum é a cobrança contínua de aluguel de máquinas que já foram canceladas. E, novamente, não podemos afirmar que é por má fé, mas isso acontece”, explicou, em entrevista ao Jornal da Metrópole.

Varejista brasileiro está atento

Somente nos dois primeiros meses deste ano, de acordo com levantamento realizado pela plataforma Finanças 360º, empresários do setor conseguiram recuperar um total de R$ 11,5 milhões em vendas efetuadas e não repassadas. Carneiro explica que, desde o microempresário, todos podem ser vítimas dos erros. “Nossa taxa de identificação de divergência é de 78%. Então é algo bastante relevante no final”, ressalta.

Mercado é crescente no país, aponta associação

Apesar dos erros, o mercado de vendas com máquinas só faz crescer no país. Dados da Associação de Operadoras e Credenciadoras de Cartão  (Abecs) mostram que os pagamentos realizados com cartões de crédito, débito e pré-pagos devem crescer em torno de 16% em 2019, chegando a R$ 1,8 trilhão. Compras com cartões devem registrar, no 4º trimestre de 2019, uma participação recorde de 40% em relação ao volume do consumo das famílias brasileira.

Práticas são abusivas

Advogado consumerista, Miguel Bomfim alerta que a prática, mesmo com pessoa jurídica, é abusiva. “O Código de Defesa do Consumidor prevê que a pessoa jurídica também pode ser alvo de práticas abusivas. Agora, na esfera criminal, é um pouco diferente. Teríamos que apurar se o desvio é feito por algum preposto específico”, afirmou. O Jornal da Metrópole procurou a Fecomércio-BA e a Abecs, mas nenhum dos dois se manifestou.

Este conteúdo foi publicado no Metro 1. Para acessar a versão original clique neste LINK.

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